Pular para a matéria
Entre NotíciaNotícias em tempo real segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca naturalizar conteúdo adulto
presidente do corinthians confirma proposta patrocinio fatal fans 762x429.jpg.optimal
Acontece

Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca naturalizar conteúdo adulto

Segundo Ongaratto, a estratégia é associar a marca a um ambiente de prestígio. Ele explicou que o investimento no Corinthians não se justifica por um cálculo de retorno.

Por · · 4 min de leitura

O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que o patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians tem como objetivo naturalizar a presença de plataformas de conteúdo adulto no dia a dia dos brasileiros. A empresa passou a estampar a marca no uniforme do clube paulista.

Segundo Ongaratto, a estratégia é associar a marca a um ambiente de prestígio. “Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, disse em entrevista. Ele explicou que o investimento no Corinthians não se justifica por um cálculo de retorno financeiro direto.

A Fatal Fans é uma plataforma de assinatura de conteúdo adulto, com fotos e vídeos eróticos ou pornográficos produzidos por mulheres, homens e casais. O modelo é semelhante ao do OnlyFans. A empresa retém 15% do valor de cada transação. A plataforma reúne cerca de 30 mil criadores de conteúdo e recebe 7 milhões de visitas por mês.

A Fatal Models, outra plataforma da empresa, reúne perfis de acompanhantes e já patrocinou outros times, como o Vitória. O site tem 30 milhões de acessos mensais e deve faturar R$ 180 milhões em 2026. As transações são feitas diretamente entre usuários e acompanhantes, sem mediação da empresa.

O contrato com o Corinthians é de R$ 22 milhões e vai até 2027. O acordo foi fechado em meio à crise financeira do clube, cuja dívida está entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. O valor deu fôlego ao caixa, mas gerou polêmica sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes.

Ongaratto disse que a estratégia pode dar tranquilidade para pessoas que tinham receio de acessar o site. “Pessoas que tinham vontade, mas não tinham coragem de acessar o site por medo de que ele colocasse um vírus no seu computador, tenham tranquilidade para acessá-lo”, afirmou.

Por outro lado, a exposição da marca em um dos maiores clubes do país alcançaria milhões de crianças e adolescentes. Essa preocupação motivou representações ao Ministério Público de São Paulo. Também foram protocolados projetos de lei para proibir publicidade de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos. As autoras são as deputadas Maria Helou (PSOL), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

O empresário disse que a propaganda não é direcionada a crianças e que a empresa nunca fez peça publicitária com objetificação do corpo. “A nossa propaganda não é direcionada para criança, não tem sensualização, não é imprópria da forma que está”, defendeu.

Verificação de idade

Ongaratto afirmou que a Fatal Models implantou um sistema de aferição de idade para impedir o acesso de menores de 18 anos. No entanto, uma repórter acessou as duas plataformas sem qualquer verificação etária. Ele explicou que o recurso estava em funcionamento apenas em Maceió.

“Fomos a primeira empresa a implementar esse sistema, em março, quando a lei [do ECA Digital] entrou em vigor. Mas a ANPD informou que a fiscalização dos sites adultos só começaria em janeiro do próximo ano”, disse. A empresa decidiu suspender temporariamente o sistema enquanto aperfeiçoava a ferramenta.

O conteúdo da Fatal Fans é fechado e exige pagamento para acesso. “Na hora do pagamento, há não só a aferição de idade, mas identificação do usuário. E se o usuário for menor de 18, a compra é estornada”, garantiu.

O Corinthians informou, em nota, que se certificou de que a Fatal Fans operava em conformidade com o ECA Digital. O clube disse que não haverá comunicação ativa convidando para o site nem publicidade “com conotação de objetificação ou erotização”.

Ongaratto reconheceu que a repercussão tende a produzir efeitos comerciais. “Toda polêmica gera curiosidade.” Ele também disse que a empresa ainda não desenvolveu políticas específicas para usuários com consumo compulsivo de pornografia. Afirmou que o tema “carece de mais debate dentro da empresa”.

O executivo disse que a empresa trabalha para reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo. “Há quem coloque a mulher que produz conteúdo adulto abaixo da mulher que escolheu como profissão jogar futebol, por exemplo. E não cabe essa comparação”, afirmou.

Ele namora uma produtora de conteúdo adulto e disse que respeitaria a decisão das filhas se elas escolhessem essa profissão. “Eu respeitaria a decisão delas e daria as melhores recomendações possíveis para que elas possam estar nessa profissão da maneira mais segura possível”, concluiu.

Leia também: confira o umbral de casa e confira o limiar de noticias.

Espalhe: WhatsApp Facebook X
Mais sobre issomais de Acontece